Templo Espírita

"CASA DE OXALÁ"

- Seja Bem-Vindo Sempre -

Orientador Espiritual: Neiwriw de Oxalá

 

OGUM

Data festiva: 23 de abril

É o Orixá do calor, da força e da energia. Seu "habitat" é a mata fechada. Suas comidas mais fortes são a feijoada (três tipos de feijões) e o mingau forte (camarão, inhame, farinha, leite de coco e amendoim torrado); suas bebidas fortes são a cerveja e o "batizado" (anis, mel e água); sua flor é a "crista de galo"; sua pedra é o rubi; sua essência é a violeta; seu metal é o ferro; seu dia da semana é terça-feira; suas cores são branco, vermelho e prata. Seus falangeiros mais conhecidos são: Beira-Mar, Rompe-Mato, Megê, Sete Ondas, Iara e Matinata. Sua saudação é "Ogum, ê!". É sincretizado em São Jorge.

Ogum na Umbanda é São Jorge, ou como os espiritualistas chamam São Jorge Guerreiro. As lendas de S. Jorge remontam da época das Cruzadas; sua armadura foi levada da Capadócia para a Inglaterra, de onde é padroeiro. Segundo as lendas, ele teria sido um destemido guerreiro, um vencedor de batalhas, de dragões e protetor de fracos e oprimidos. Por sua personalidade forte de guerreiro, sendo conhecido pelos seus fiéis como "santo forte", "vencedor de demandas", "general da Umbanda", etc.

São Jorge é extremamente popular e, através de sua sincretização com Ogum, tornou-se o padroeiro da guerra e da tecnologia, simbolizando todo aquele que trabalha nas linhas de frente, abrindo novos caminhos e alargando fronteiras.

É fácil entender o porque da grandeza de Ogum, já que ele foi o escolhido, pelo Criador, para ser o comandante de todos os Imalés.

Ogum é o rei do ferro e protetor de todos os que venham a trabalhar com instrumentos metálicos. Conhecido e festejado na África como padroeiro da Agricultura.

Ogum é o orixá que vence demanda, que protege seus filhos e guarda sua casa. Ogum é um orixá que vira na esquerda, pois é chefe de Exu, pois enfrentou eles e obteve respeito dos mesmos, essa característica também pode ser percebida uma vez que seu nome aparece também em pontos cantados de Exu. Sua imagem é de São Jorge sobre o cavalo, mas também pode ser uma imagem de um Ogum especificamente (dependendo do terreiro).

Na Umbanda, Ogum continua comandante (Tata) e guerreiro invencível. Se na África seus sete nomes coincidem com os das sete cidades que formavam o reino de Irê, na Umbanda eles se tornaram as falanges que seguem:

a) Ogum Beira-Mar - age nas orlas marítimas

b) Ogum Yara - age nos rios

c) Ogum Rompe-Mato - agenas matas

d) Ogum Malê - age contra todo o mal

e) Ogum Megê - age sobre as almas

f) Ogum De Lei - age junto com a justiça

g) Ogum de Ronda - age nas ruas, do lado de fora das porteiras

... e pra cada falange, atuando em uma região ou em conjunto com alguma força. A incorporação de Ogum é fácil de se perceber : Seus filhos tomam uma forma militar com os ombros retos, peito estufado, andar ereto e com a mão ou dedo esticado acima da cabeça.

A HISTÓRIA DE SÃO JORGE DA CAPADÓCIA

Jorge, santo do século IV, príncipe da Capadócia ou plebeu, que arrancou e destruiu o edito de Diocleciano contra os cristãos. Martirizado a 23 de abril de 303, seu dia votivo. Venerado na Rússia, Itália, Inglaterra (patrono em 800), Portugal, etc. Tornou-se um perseu cristão, cavaleiro andante, vencedor de dragões e salvador de virgens cativas, casando com uma princesa egípcia e morrendo em Coventry.

Os gregos o chamavam megalomártir o grande mártir. O rei Fernando de Portugal, recebeu a tradição de São Jorge através dos ingleses que o tinham como padroeiro. Dom João I, o fundador da dinastia de Aviz, tornou-se seu devoto e o fez patrono nacional em substituição a Santiago, que o era igualmente dos castelhanos mandando que a imagem figurasse, montando um cavalo, na procissão de Corpus Christi, onde saiu pela primeira vez em 1387. Na festa de Corpus Christi no Brasil (Rio de janeiro, São Paulo, Bahia, etc.) a figura se São Jorge montado num cavalo branco e cercado de aparato militar, era o maior centro de interesse.

No Rio de Janeiro a imagem possuiu capelinha na rua São Jorge. A Irmandade, em 1854, agregou-se à confraria de São Gonçalo Garcia. A imagem que recebia as continências de todas as forças militares salvas de artilharia e era acompanhada pelo "Casaca de Ferro" vestido de folhas-de-flandres, imitando um guerreiro medieval, está recolhida à igreja de São Gonçalo Garcia, na praça da República (Melo Morais Filho, Festas e Tradições Populares do Brasil, 'Corpus Crhisti, a Procissão de São Jorge', 257-264, Rio de Janeiro, 1946; Vieira Fazenda, 'Antiqualhas de Memórias do Rio de Janeiro', Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, tomo 86, v. 140, 237).

Na cidade de Salvador, São Jorge saiu até 1865, com séquito e o "Homem de Ferro" (João Silva Campos, Procissões Tradicionais da Bahia, 234, Bahia, 1941). Em São Paulo veio até 1872, quando, desequilibrando-se, a imagem caiu sobre um soldado, matando-o. Está guardada no Museu da Cúria Metropolitana (Paulo Cursino de Moura, São Paulo de Outrora, p. 40. São Paulo, 1943).

No populário, São Jorge é invocado como defensor das almas contra o demônio, tentações, suspeita de feitiço, rivalizando, dentro de certa medida, como o poderoso São Miguel. Nos candomblés da Bahia identificamo-no com Oxóssi e Odé, e nas macumbas do Rio de Janeiro, Recife e Porto Alegre com Ogum.

(CASCUDO, Luís da Câmara. Dicionário do folclore brasileiro)